Textos

Rumores da delação...

E eram dias assim...
De tristeza e censura
O que seria de mim?
Fraco, em dor e mesura.

Serei sem voz, sem asa...
Preso sem pensamentos
Nem sussurro... sou rasa
Nada sou... só momento.

É nesses dias assim
Nessa sórdida e pestilenta
Sem está nem pouco afim
Corre , fugi , mas estou lenta.

E não saio mais do canto
Alienado a surdina visceral
Quem manda, não tem encanto
Desvai o sino não catedral.

E foi nesses dias
Que compreendi as aves
As luzes não vadias
Face a face desse enclave.

Como gritar sem voz
Sem mandar em nada
Fadado a esse algoz
Como alma desarmada.

Eu, ela, entregue às cegas
E o covil, aplaude a amoral
Um disco em apiegas
Fotos de terror em jornal.

Terroristas, conspiração
Respira, respiração
Não consigo nem viver
Sou a vítima do sofrer.

O que eu fiz de mal?
Nem fui eu que fiz afinal
Esse Estado de poder
Quem pode faz doer...

Ah fetida ilusão do povo
Faz de anos ser de novo
A mesma coisa em outro
Nem vi o estouro...

O estouro foi na ideia
Ideia de alienação
Sozinha é só uma ideia
Mas junta és a opressão.

Estou morta, sem pudor
Nem sinto mas nem dor
Nesse cárcere ouço patrol
É o olho?nem vejo o sol.

Nesses dias tenebrosos
Funestos de minha vida
São dias, anos ociosos
Que um dia foi vivida.

Sinto quanto vale a asa
A asa de um passarinho
É como fogo em brasa
Que aceso tem seu caminho.

E nessa minha submissão
Dou voos em mim mesmo
E sou zumbi a esmo...
Por minhas algemas sem razão!

Ele nem foi o responsável
Bateu na cabeça, ficou
Nem foi calculável
Sem resistência me foi confiável

Sem resistência nos tambores
Rufaram minha liberdade
Ladrinharam minha convicção
Como vi, me era estranho, a formosura da expressão...






 
Eduardo de Melo
Enviado por Eduardo de Melo em 11/10/2018
Alterado em 13/10/2018
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