Textos


O transeunte que sentou no chão...

Esse poema vive na cidade
Traz consigo a desilusão
Bem, gosta de falar verdade
Tem medo de ladrão.

Meu poema da cidade
Para, no sinal
Fala do pedestre de idade
Em seu passeio matinal

E toda cidade se mexia
Mas o pedestre era devagar
Carro, barulho, travessia
Ele falava e sussurrava ao vagar...

O pedestre de idade
Sentava ao chão, em meio a multidão
O que se faz a sua dignidade?
O que faz um homem de idade, sentar no chão?

O homem continuava no chão
E o Sr .perguntava, o que faz um homem no chão?
Ele sentado, via pelo celular as notícias da política, o desemprego, a inflação .
Ele triste nem saia do chão.

O trânsito parou os transeuntes aumentaram,

Tinha repórteres, era um caos, a Paulista parou,  não passava nenhum carro.

Não existia maior notícia.
O que faz um homem de idade, sentar no chão?

O repórter perguntou?
O que faz no chão Sr.?
Ele nem falou...
Mas tinha uma expressão!

O que faz um homem de idade, sentar no chão?
A Guarda Nacional, foi chamada e eles chegaram com energia.
Você ou sai ou te desço um cacetão!
Ele nem respondia.

O que ninguém sabia.
É que ele não era estranho a realidade.
Ele era o sinal de revelia.
Para uma situação de dignidade!

Mas ninguém esperava mesmo é que o velho não saísse.
É fez assim, as autoridades estavam preocupadas com a situação;
E se todos assim saísse.
Em vez de omissos, fizessem como um homem de idade que senta no chão.

Os jornais divulgavam em todo mundo
O que fazia ele sentado naquele asfalto imundo?
Ele era a esperança, sentada, estática .
À espera na sua tática.

Foi assim o ano todo.
Como um dia saiu sem aviso
E perguntou o povo?
E ele deu um sorriso.

-Estou cansado de sentar
-Imagino que algo mudou
Estava sentado e levantou
- Não quero mais sentar!

O trânsito voltou ao normal
As notícias ruins foram noticiadas
E continuou tudo igual
Ah se tivessem aprendido com ele... que época de poucos pensadores... onde é que andam os sonhadores?!
Menos o Sr. de idade, que teve sua revolução iniciada!


Ao sentar no meio da avenida  no chão 
Não era indisposição,  mas sim insatisfação 
Na sua ação,  carrega uma revolução 
Mesmo sentado carregava a sua razão!







 
Eduardo de Melo
Enviado por Eduardo de Melo em 14/10/2018
Alterado em 20/10/2018
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