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As camélias...

Parte I

Não existe amor aqui
Isso é balela que contam
Nem a esse sujeito que é daqui
Sem cartas, odes que remontam

Oh flores que jogo a esmo
Não escuto o meu coração
Fico em casa, me ensimesmo
Não procede essa enrolação!

Cartas? Amor ? Onde é isso?
Onde posso encontrar?
E flores, o que cabes nisso
Nesse mundo, nesse lugar...

Nem fui arredio as amantes
Fiz minha parte no baile
Minhas pílulas e calmantes
E me inscrevo em braille.

Cego estou às camélias
Meu coração não pulsa
Nem mesmo a Amélia
Nem a mão e a luva.

Vou seguindo inanimado
Como cavaleiro sem alado
Repercutindo minha derrocada
Nem braços de pessoa amada.

Asqueroso, blasfemo a cantoria
A troca, o email de todo amor
E atravesso até a tabacaria
Recôndita nessa minha dor

Meu coração sem sangue vegeta
Nas ilhas de Atlântida sem fim
Sob tortuosas ondas inquietas
Da ilusão de veras em mim...

Parte II

Acordei diferente, sem aderente
Mas lacivamente me curso
Nesse meu percurso me incurso
Sou Romeu qu'é carente.

Ah carência de outroras
Me vi passível as camelias
E passo o tempo, vejo as horas
Ah te quero minha Amélia

Tu que és mulher de verdade
Fazes meu benquerer
Nem carregas falsidade
Vem cá me socorrer!

E esqueço minhas lamúrias
Sendo alheio a meu sofrer
Pois não solto mais injúrias
Tanto faz se me doer...

Me desfaço, oh camélias...
Que são tão ninfas lindas
Contumaz as minhas amélias
E me vejo à Vênus e finda...
Eduardo de Melo
Enviado por Eduardo de Melo em 20/10/2018
Alterado em 20/10/2018
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