Textos


Penélope (jacu)


Eu estava a raiar o dia e escutei
Esta ave graciforme que cantava
Cantava como galinha que eu sei
Como ela me encantava?

Tinha plumagem e grande rubor
Como ver-te pássaro formoso
Ícaro qu'é tão notável aviador
Como você não tinha voo ambicioso.

Tenho saudades de seu penar
Na janela ao lado de uma rosa
E como não consegui te lembrar?
Na época de sonho e saudosa.

E deixo lágrimas aos poucos
No caminho por onde andei
E me considero um louco
Por não te dizer que te amei.

Meu amor é pássaro sem asa
Que faz de ti um planador
E me faz lembrar da casa
Que fui feliz e tive amor...

Caju, tapioca e cheiro de terra
O vento e cheiro do mato
Ah que memória tenra
Do cheiro da panela de barro.

E cantava o adorável pássaro
Sem teres nenhum predador
Pois lá ele tinha direito raro
De cantar sem sofrer nem dor.

Não esqueço das minhas mãos
No barro quente, no quintal
O cheiro de sereno sem razão
Eu sem chinela, no girau.

O que tem o pássaro com isso?
Ele tocava a canção
Toda manhã tinha o compromisso
De me avisar da distração.

O bendito nem mesmo falhava
Fazia coral com as borboletas
Subia no juazeiro que folheava
Polinizava a perfeita roseta.

E foi assim, que a Penélope e eu
Tornamos amigos inseparáveis
E seu destino foi traçado no meu
E vivemos os tempos inimagináveis!



 
Eduardo de Melo
Enviado por Eduardo de Melo em 24/10/2018
Alterado em 30/10/2018
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